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  • Writer's pictureBeatriz Fonseca

Letter from the Editor - 5/6/2023

Já começo dizendo que não pretendia escrever esse texto porque não queria me fazer chorar antes da colação de grau. Na verdade, não queria acreditar que o ano está acabando, que não é mais uma visão distante sobre a qual tento não pensar nem falar a respeito. Meu peito aperta só de escrever no título desse documento "The Daily Hawk - Texto Final" devido a lembrança de digitar "TDH Primeiro Texto" há quatro anos. Não gosto de fim nenhum, muito menos de admitir isso, mas, nesse caso, é algo do qual não consigo fugir por muito mais tempo, então melhor aceitar de uma vez.

Penso como será visitar a escola daqui a um tempo. Ver tudo igual, mas saber que não faço mais parte disso. As pessoas que conheço vão me cumprimentar, outros sequer saberão quem eu sou, talvez alguns nem lembrem o meu nome. Já me mudei algumas vezes, mas essa é a primeira na qual espero a mudança. Sempre foi uma surpresa, nunca tive um "último-último dia de aula" consciente. Talvez tenha sido melhor assim, porque, nossa senhora, como é difícil esperar. Contar os dias até o último, saber que essa é a "reta final" de tantas coisas, os momentos terminantes que, para mim, nunca de fato viriam. Sempre tive medo de mudança e dessa vez não está sendo diferente. Portanto, em uma tentativa de me confortar mais do que qualquer outra coisa, decidi não pensar no efeito que a escola teve em mim, mas sim das minhas próprias contribuições. O que eu deixaria de mim? Qual seria o meu legado?

Desde que entrei na escola pensei que o "legado" da minha sala deveria ser algo espetacular. Uma estátua, prédio ou feriado no calendário letivo, todos seriam boas opções para satisfazer a minha ideia do que seria preciso para sermos lembrados. Porém, notei que os objetos e obras deixados pelas salas passadas passavam despercebidos, enquanto histórias do porquê não podíamos entrar na escola depois das onze da manhã e de alunos antigos que diziam querer tatuar a matéria de uma aula no pulso eram repetidas quase toda segunda na minha aula de cálculo. Demorei uns bons quatro anos para perceber que o nosso legado não seriam lembrancinhas momentâneas, mas os atos involuntários que fizeram com que certas pessoas gostassem de nós.

Conheci aqui algumas das melhores pessoas que vou conhecer na minha vida e parte de mim lamenta por não poder vê-los todos os dias. Sei que essa escola vai ser praticamente outra daqui alguns anos, mas me sinto realizada em saber que ela também permanecerá igual, intacta através das memórias que fizemos aqui. Sempre tive medo não só de ser esquecida, mas de esquecer; se, em alguns anos, não recordar que comemorávamos quando tinha pão de batata no lanche, ou do livro que lemos no nono ano, ou da vez que levamos uma bronca por brincar de cabra-cega sem supervisão. Deixo aqui meus erros, (alguns) acertos, amizades, trabalhos, desenhos, risadas, debates, brigas e o Daily Hawk em si, que também foi o legado de muitos outros antes de mim.

Mal posso esperar para ver como será a EABH quando eu voltar. Sei que não será a escola que deixo essa semana, não por inteira, mas terá uma parte de mim, de nós. E, em um momento que sequer posso chamar de "bittersweet", como disseram que seria, porque só parece "bitter", isso me acalma. A minha sala continua presente através das histórias que contaremos (e que espero que sejam contadas por alguns daqui também) e de nossas lembranças. Lembranças estas que não são formalmente documentadas no jornal, mas podem ser facilmente relatadas pelos seus membros. Me encontro em um momento extremamente sensível, no qual tudo é motivo de choro e reflexões sobre o que será de nós sem a EABH são normalmente evitadas para não causar desânimo. Lembro de sofrer ao ler "Once a hawk, always a hawk" no décimo ano… imagina agora. Não só levo partes dessa escola comigo, mas deixo fragmentos meus aqui também para serem transformados em coisas muito maiores do que eu fui capaz de fazer.

O meu "eu" do oitavo ano riria se soubesse que eu estou me formando aqui – e com o coração na boca ainda por cima. Acho que não sei viver fora dessa escola, não sei como será a sensação de saber que, dessa vez, não vou voltar pro ano seguinte. De perceber que realmente acabou. Não tem mais vôlei amador, nem "focaccia" no banheiro, nem reuniões, nem trabalhos para entregar, nem negociações com professores, nem palestras repetitivas, nem recomendações de leitura, nem pão com queijo e bolo de chocolate parafina, nem passeios pela escola, nem flashmob, nem karaoke espontâneo. Ainda vou descobrir o que é isso quando agosto chegar, mas agora só posso me sentir grata – e um pouco (só um pouco) nervosa – por me formar e por ter tido a oportunidade de estudar na EABH e, mais ainda, ter sido editora de um jornal que eu tanto admiro ao lado de pessoas que constantemente me encorajam a ter mais confiança em mim e, simplesmente, "fazer acontecer". E fiz. Meu legado nessa escola são as minhas memórias – e esse jornal, é claro.


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